Território na Antropologia
As experiências de um geógrafo na Índia e no Brasil e de
uma antropóloga na Guiana e no Brasil, desenvolvidas com objetos e olhares
disciplinares diferentes, servirão de fio condutor a uma reflexão teórica e
metodológica sobre a prática de um campo que confere uma atenção importante ao
espaço, tanto como contexto de investigação quanto como recurso pelos atores
investigados. De fato, trata-se de mudanças numa dupla dimensão: mudanças na
capacidade dos atores, sujeitos dos seus próprios futuros, de iniciar
alterações no espaço do cotidiano; assim como mudanças no contexto onde
acontecem estas ações, a metrópole carioca, cujo espaço político é submetido à
necessidade de gerar dinâmicas que podem ser analisadas na perspectiva da
“sustentabilidade” urbana.
A observação das praticas de alguns
atores, atuando entre esferas formais e informais, marcados pela mobilidade
social e espacial, e por uma flexibilidade de atuação e de institucionalização,
permitiu encarar uma mudança de paradigma da parte dos pesquisadores. O desafio
se materializa na construção de um olhar interdisciplinar que possa posicionar
estes atores, considerados como marginais pelo público, no centro da dinâmica
sustentável da metrópole do Rio de Janeiro. Na construção deste olhar, entre
teoria, metodologia e extensão, o papel dos itinerários individuais dos
pesquisadores é determinante, assim como o foi a influência científica do
núcleo de pesquisa FACI (Favela e
Cidadania) da Universidade Federal do Rio de Janeiro onde estas
pesquisas foram realizadas. Este núcleo de excelência desenvolve desde 2005
pesquisas empíricas e reflexões teóricas em torno destas mudanças de paradigma.